Artistas e
produtores participaram da Rodada de Negócios da Feira da Música, com expectativa de buscar espaço no mercado externo. Entre os convidados estrangeiros do evento, só elogios à música brasileira, mas um alerta: a necessidade de profissionalismo.
Artistas e
produtores independentes precisam ser tão organizados e profissionais quanto qualquer outro, se quiserem entrar no mercado. A afirmação, que dá conta de um dos principais aspectos a serem trabalhados para concretizar a divulgação de músicos brasileiros no exterior e sua entrada no mercado internacional, é de Jordy Trachtenbeg, vice-presidente do distribuidor
digital The Orchard, pioneiro entre os agregadores de música em meio
digital. Presente à Feira da Música integrando o grupo de convidados estrangeiros articulado pela Brasil Música e Artes (BM&A), em conjunto com parcerias como a firmada com o evento cearense, Jordy participou do painel sobre oportunidades de negócios e promoção para as cenas
musicais locais e destacou a boa receptividade de alguns artistas brasileiros da nova safra, lá fora.
´Adoro o CSS (a banda paulista Cansei de Ser Sexy), o DJ Marlboro e o Bonde do Rolê´, listou Jordy, não sem esforço para lembrar alguns dos nomes, em sua primeira visita ao Brasil, para buscar principalmente contatos com selos e pequenas gravadoras. ´Cada um de nós tem um foco de interesse diferente. No meu caso, a minha empresa procura música para distribuir. Queremos lidar com selos locais´, delimitou.
Para Jordy, apesar de todo o burburinho em torno das irreversíveis mudanças trazidas pela música online e das estratégias do tipo ´ouça o disco, contrate o show´, nem toda música disponibilizada por novos artistas na Internet deve ser gratuita. ´Não se pode desvalorizar a música. Dar acesso a uma faixa grátis está certo, mas não disponibilizar tudo. É preciso promover a música, divulgá-la, mas também saber como fazer dinheiro a partir dela e reinvestir no seu negócio, se o artista e o selo quiserem sobreviver´, ressalta, apontando que a venda de música online também é um hábito a ser cultivado, a partir de sites que, ainda que a preços muito baratos, cobram pelas música que disponibilizam.
Da atual visita ao Brasil, Jordy Trachtenberg destaca que levará indicações de bons artistas para o Orchid distribuir. ´Distribuímos todo tipo de música e estamos potencialmente interessados em artistas de todos os estilos. Pessoalmente, gosto de rock e pop-rock, e gostei muito dos artistas do selo Monstro´, aponta. ´Uma coisa não muda, mesmo com todas essas mudanças na distribuição: a música tem que ser de qualidade. Isso é o mais importante´, reforça, assegurando já existir, nos Estados Unidos, por exemplo, um olhar atento sobre a música brasileira contemporânea, para além do samba e da bossa nova, tradicionais produtos de exportação.
Música para games
Essa abertura do mercado internacional à nova música brasileira é confirmada pela representante da Eletronic Arts, Beverly Koeckeritz, também pela primeira vez no Brasil, aproveitando para conhecer artistas e receber material para futuras seleções de trilhas sonoras de games. É o que a empresa faz, há anos, com games mundialmente conhecidos, como Fifa Soccer, NBA e The Sims, em uma forma de ´ilustrar´ os menus de seus jogos com músicas e de divulgar, além de faixas de sucesso, também artistas ´emergentes´ em diferentes países.
De acordo com Beverly, 17 músicos brasileiros - entre eles Marcelo D2 e Fernanda Porto -já tiveram canções incluídas em trilhas de jogos da EA. ´Para o artista é algo que realmente vale a pena, porque um jogo como Fifa Soccer ou The Sims não é vendido só nos Estados Unidos, mas mundialmente. São cinco a seis milhões de unidades por ano´, mensura, justificando a crescente preocupação de artistas,
produtores e selos em disponibilizar música específica para games. ´Aqui discutimos, por exemplo, como deve ser a música para os jogos. Boa música é boa música, em qualquer lugar, mas pra jogos a música tem que ser divertida, ter um bom tempo, não pode ser tão introspectiva´, destaca, afirmando que a maioria das faixas incluídas nos games são enviadas por selos para análise da EA.
´Temos parcerias com selos que já nos enviam músicas que eles acham que ficariam bem nos jogos. E também fazemos sessões para ouvir as músicas enviadas´, detalha Beverly, admitindo que, para um artista independente, chegar a ter uma música em um jogo da empresa não é tarefa fácil. ´Mas agora há mais espaço para esses artistas do que antes. Porque também é nosso objetivo mostrar nos jogos coisas novas, legais, tentar apresentar outros artistas, não repetir a mesma coisa que todo mundo já ouve´, diz, citando um olhar atento a bandas e artistas que conseguem boa repercussão em cenas locais. Sobre o Fifa 2008, já aguardado ansiosamente pelos amantes da série, Beverly evitou dar detalhes. Mas, diante da insistência, adiantou que uma faixa de artistas brasileiros estará presente na trilha - uma música do coletivo de DJs e MCs
digital Dubs, dos cariocas Nelson Meirelles e Cristiano Dubmaster.
PROGRAMAÇÃO
HOJE NA FEIRA
PALCO PASSARELA - DRAGÃO DO MAR
18h - Cia. Vidança (CE)
18h50 - Fóssil (CE)
19h50 - Aerotrio (PB)
20h50 - Wilson Dias (MG)
21h50 - Coco de Tebei (PE)
PALCO POÇO
musicaL - POÇO DA DRAGA
19h30 - SemiZeus, Nuamba Zen,Thrunda e Dose Lethal (CE)
20h20 - Mônica Feijó (PE)
21h10 - Quarto das Cinzas (CE)
22h - Radiola (BA)
22h50 - Madame Mim (SP)
23h40 - Wado (AL)
PALCO CAIXA
musicaL - PAVILHÃO DO SEBRAE
18h - Cortejo de Grupos Sociais e de Raiz
20h - Grupo Casca Verde (PI)
PALCO DO ROCK - CENTRO CULTURAL BOM JARDIM
18h - Brevis (E)
18h40 - Drive Sex (CE)
19h20 - Obskure (CE)
20h - Joseph K? (CE)
20h40 - Piron Heron (CE)
21h20 - The Playboys (PE)
PALCO DA DIVERSIDADE - SHOPPING SOLIDÁRIO BOMMIX - BAIRRO BOM JARDIM
19h - Enverso (CE)
19h40 - Difusão (CE)
20h20 - Alegoria da Caverna (CE)
21h - Rosa de Pedra (RN)
DALWTON MOURA
Repórter
Expectativa nas rodadas
Outro momento de destaque durante a Feira da Música foram as Rodadas de Negócios, que tiveram como objetivo encurtar a distância entre compradores nacionais e estrangeiros - como
produtores de festivais e distribuidores de música - e vendedores de diversos estados brasileiros - artistas e
produtores interessados em buscar outros mercados. Na ante-sala das reuniões com os compradores estrangeiros, na tarde de quinta-feira, artistas como a cantora cearense Kátia Freitas, que levou um material caprichado de divulgação de seu trabalho e da música do guitarrista e arranjador cearense Cristiano Pinho, que tem marcado para o início de 2008 o lançamento de seu segundo disco instrumental. ´Não é fácil falar do seu trabalho - e no meu caso de dois - em pouco tempo. Você tem aquela chance de se apresentar, dizer o que você faz, procurar mostrar esse trabalho´, comentou a cantora, que no mesmo dia fez show na feira, na programação
musical dos palcos no Poço da Draga. Kátia falou ainda sobre planos para seu terceiro disco autoral, cujos trabalhos deverão ser iniciados depois de concluído o álbum de Cristiano Pinho.
Também na expectativa por bons contatos na Rodada de negócios estava o bluesman cearense Filipe Cazaux. ´A gente sempre espera que haja um retorno, no meu caso, acho que primeiro de distribuição lá fora, divulgação em rádios, jornais, pra depois tentar marcar shows. Eu já toquei fora, nos Estados Unidos, mas é outra coisa quando você vai com shows marcados´, enfatiza o guitarrista e cantor, que recentemente teve uma faixa selecionada para o projeto Esquina do Brasil, que está lançando uma caixa com quatro CDs de músicos do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Em setembro, o músico parte para uma turnê por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília. Enquanto aguarda que os contatos na feira gerem bons resultados